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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Anibal Beça

CANTIGA DE SÁBADO


Quero escrever um poema
leve no dorso dourado
que fique em versos perenes
meu veneno tatuado

Um veneno de paixão
de olor forte mas sereno
e que se espalhe até na alma
tomando todo o terreno

Começo pelos teus lábios
pastores dos teus mistérios
sopro suave na brasa
do beijo que tanto quero

Do meio destas colinas
ao regaço mais molhado
me afogo e te bebo toda
na concha do teu relvado

Sentir o sal do banquete
o mormaço do teu ventre
teu cheiro que me alucina
assanha a senha serpente

Este sábado é de bênçãos
bacante regando a cor
de vinho tinto rascante
das uvas do nosso amor

Foram 7 os meus desejos
7 vezes consagrados
que a vida só vale a pena
levada nos seus pecados


*

Sandra de Almeida


Quando estou só,
sinto-me nua.
Reclamo da lua,
cabeça dá nó.

Receio um nada,
refúgio de mim.
Minha luz apagada,
anseia um sonoro fim.

Estranho encontro,
embaraça a alma.
Esfarela a calma,
eu e eu... reencontro!


*

Neusa Zanirato


ENTRESONHAR

meus sonhos de mulher
entretecidos de rimas
entre tecidos de seda
estristecidos de sina

meus sonhos de mulher
estremecidos por seus passos
encontraram os seus sonhos
se entregaram num abraço

(entrevimos nosso laço)



*


Marisa Zanirato

3 haikais e um grito


Favo de mel:
docura hexagonal
recolhida das flores.

Sinal de chuva:
formigas apressadas
transitam no muro.

Labirinto prateado:
Entre as folhas
uma aranha trança a teia.

São Francisco me perdoe
mas se essa mosca voltar
tasco inseticida nela.


*

Ângela Zanirato

CRIAÇÃO

E eram sóis a se banhar na luz do dia
não havia trevas , eram dias de perdão
era o começo, e no entanto sempre fora o fim
era um desavesso, um desatar de nós
e na contramão da vida, era a paz
entre trincheiras de almas perdidas
E eram as luzes a se derreter na aurora
não havia mais palavras
além do silêncio que gritava
entre as cortinas coloridas do tempo
era o começo e o fim do espetáculo
era a vida que se esparramava líquida:
era a maravilha da criação.

*****

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